Passei todo o dia 03/10 tranquila em casa. Minhas pernas nunca haviam ficado tão inchadas. Mesmo passando o dia inteiro deitada, de pernas pro ar, elas teimavam em permanecer inchadas e enormes como nunca. Estranhei meu corpo. E cheguei a acreditar que Clarissa nasceria naquele dia mesmo, como eu e seu pai desejávamos.
A noite meu marido chegou super carinhoso. Eu estava toda linda. Quis me arrumar pra ele. Conversamos bastante com Clarissa e alisamos muito a barriga. O telefone tocou e era pra ele. Já eram 20h30 quando fui ao banheiro e ouvi um ploc. Fiz xixi normalmente, mas depois disso um líquido continuou escorrendo de minhas pernas. Associei o PLOC ao nascimento de minha bebê e gritei: “amor, amor! De hoje pra amanhã Clarissa nasce.” E ele me olhou assustado. Antes que ele perguntasse algo, expliquei: “Minha bolsa estourou.” Pedi pra ele pegar absorvente pra mim, pois o líquido descia devagar, gradativamente. Enquanto fui tomar um banho, muito feliz e relaxada, ele ligava pra meu GO e colocava as malas no carro. Meu Go disse que de lá da maternidade ligariam pra ele, caso o parto fosse naquele dia mesmo. Ainda pensei e falei em ligar o PC pra divulgar tudo no blog, mas o marido meio que nervoso, não deixou. Eu parecia ter sido dopada com alguma coisinha que deixasse a pessoa extremamente feliz. Todos ligavam ansiosos, querendo saber como eu estava e se impressionavam com minha tranqüilidade e serenidade. Fomos à maternidade felizes, tranqüilos e conversando. Tentando adivinhar com quem a Pequena iria se parecer. O meu maior desejo era que seu queixinho fosse igual ao meu. Somente! As contrações iam e viam lentamente. Ainda havia tempo suficiente. Eu tinha certeza de que iria dar à luz por parto normal. Chegando na maternidade fui examinada pelo médico de plantão que confirmou o estouro da bolsa e acrescentou que eu estava com 1 dedo de dilatação.
Fui internada às 22horas e em poucos minutos chegaram 2 enfermeiras pra me levar pra sala de cirurgia. Perguntei pelo meu médico, elas disseram que já haviam ligado pra ele. Eu disse que não seria PC, que iria tentar o PN e elas me olharam com estranheza, mas saíram. Pedi novamente pra ligarem pra meu GO. Nessa altura eu já não conseguia ficar deitada. As contrações vinham mais fortes e em pouco espaço de tempo. Meu marido me abraçava, alisava minha barriga, como se quisesse que minha dor fosse dividida com ele. Fomos caminhar. Minha tia Ana chegou e se encarregou de arrumar as lembrancinhas. Expliquei pra ela as roupinhas que ela usaria e onde tudo estava. A presença dela foi fundamental pra nós!
As 23h30min meu celular toca. Era meu médico. Perguntou espantado o que tinha acontecido. Se fora alarme falso. E falei que não. Que estava aguardando-o. Ele ficou p da vida com o pessoal da Unimed que não havia ligado pra ele, e ao mesmo tempo me acalmou, dizendo que chegaria logo. De fato, demorou pouco. Foi logo me examinando, explicando que ia fazer uma reclamação por escrito dos funcionários que não ligaram pra ele... quando viu minha barriga exclamou logo: “essa menina está muito alta”. E quando fez o exame de toque, assegurou que tinha que ser cesárea. Tentei negociar, disse que agüentaria esperar, sentir mais dor. Mas ele negou, disse que eu já tinha perdido muito líquido e teria que ser cesárea. Meu marido concordou na hora! E me veio uma enorme vontade de chorar. Não foi de medo, na verdade nem sei o porquê. Antes que a primeira lágrima caísse, respirei fundo e pensei: vou conhecer minha Flor, não há porque chorar. Perguntei se podia tomar um banho. Ele disse que sim. Meu marido me ajudou. Ele foi maravilhoso a todo momento. Depois vesti aquela batinha sexy, meu maridão pegou a câmera e fomos à sala de cirurgia. Eu deitada numa maca e ele segurando em minha mão.
A anestesia foi tranqüila. Não doeu nada. Talvez porque eu estava relaxada e não tive medo. Em pouco tempo eu já não conseguia mais levantar minhas pernas. Sentia elas me tocando, queria perguntar o que estavam fazendo, mas sentia um sono que me impossibilitava de falar. Vi todos médicos na sala, mas faltava meu marido. Criei forças e consegui perguntar por ele. “Já está vindo”. Quando olhei pro lado, ele estava lá, meio nervoso, com olhar bambo. Falei: “não olhe”.
Depois disso, só me recordo dos médicos falando: “Chega pai, vai nascer”. Repetiram isso por 3vezes. Eu já estava ficando nervosa. Queria saber o porquê da demora, mas o sono não me permitia falar. Em poucos segundos ouço o choro mais forte, lindo, e longo de minha vida, seguido de um grito de uma mulher: “1h25min”. Despertei e chorei, chorei, chorei!
Colocaram-na ao meu lado. Roxinha, coberta, sujinha e ainda chorando. Olhei e vi aquela bebê linda, cabeluda e com queixinho igual ao meu. Queria arrancá-la dos braços daquela mulher, cantar músicas de ninar, enfim, fazê-la parar de chorar. Mas eu estava amarrada e só consegui beijá-la e dizer: “não chore, meu amor. Não chore! Mamãe tá aqui!”
